|
Este ano, a safra recorde de grãos será um desafio para o sistema de escoamento, provocando a explosão dos custos logísticos. Segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), de 2003 a 2006 os gastos com transporte subiram, em média, 147%, enquanto a inflação saltou 48%.
Nos Estados Unidos e na Argentina, principais concorrentes do País, o avanço foi de 16% e 35%, respectivamente. Parte do aumento dos custos decorre de fatores conhecidos, como estradas sem condições de tráfego e malhas insuficientes de ferrovias e hidrovias. Entretanto, a entidade aponta um novo componente na elevação dos gastos: o avanço das culturas em áreas afastadas do litoral e com infraestrutura ainda mais precária que o resto do País.
Cerca de 35% da produção de grãos se concentra na Região Centro-Oeste, mas as exportações são realizadas pelos portos do Sul e do Sudeste. Apenas uma pequena parcela utiliza os terminais da Região Norte, mais próximos às fazendas.
O estado do Mato Grosso, maior produtor de soja, embarca 80% dos grãos pelos portos de Vitória (ES), Santos (SP), Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC), todos com distâncias superiores a 2.000 quilômetros.
Para esses produtores, o envio da safra aos portos tem custo médio de R$ 230 por tonelada. Já os produtores de Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina desembolsam pelo mesmo transporte entre R$ 55 e R$ 70. Na média do País, o produtor paga R$ 135,6 por tonelada, segundo a Anec. Nos Estados Unidos, são R$ 31,18, e na Argentina, R$ 34,64.
|